quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Super 8


Quando Beto me chamou pra assistir Super 8 eu pensei: poxa filme com extraterrestre e  Steven Spielberg? Não vou gostar. 
Mas a insistência foi grande e preparada pra dizer que não gostei do filme logo no inicio, começamos a assistir. Daí meu olhos se prenderam à tela da TV, e eu fui me envolvendo. Quando acabou fiquei querendo mais umas 2 horas de filme (muito exagero nessa parte aqui tá?).
Vamos ao que interessa. Super 8 narra a história de um grupo de amigos que se unem para gravar um filme de terror com uma câmera super 8. Joe (Joel Courtney) perdeu a mãe em um acidente que envolveu o pai de Alice (Elle Fanning) a sua paixonite adolescente. A ideia do grupo de cinco amigos é conseguir a participação de Alice como a grande estrela em filme sobre zumbis, mas eis que surge o imbróglio. Durante uma das filmagens noturnas do filme, a garotada presencia um acidente de trem bem misterioso... 
Aí você pode pensar o que isso tem de mais, né? Filme-comum-como-tantos-por-aí.  Mas se você assistiu na sessão da tarde ao Conta Comigo, vai saber exatamente o que um filme bobinho assim, mas com uma pegada diferente pode ter de extraordinário.
O tom nostálgico daqueles amigos fazendo tudo por uma grande ideia me levou ao tempo em que as aventuras no quintal da minha avó Valtina não tinham mais fim... todos os grandes momentos de minha infância foram sempre regados às grandes aventuras (que quase sempre se resumiam ao perigo de subir e descer de uma goiabeira sem que nenhum adulto percebesse). Saíamos sempre tão vitoriosos desses pequenos momentos. E que momentos... momentos eternos.


Vou parar por aqui, ok? Assim vocês podem tirar suas próprias conclusões do filme.

Só digo que Super 8 pra mim é um dos melhores filmes de todos os tempos e já entrou pra lista dos meus favoritos...








Jor



segunda-feira, 4 de julho de 2011

Biutiful

Sabe aquele choro preso na garganta? Assistindo Biutiful eu consegui finalmente soltá-to. Um filme denso e belíssimo. Falta-me palavras para descrever a história de Uxbal (Javier Bardem) que logo nas primeiras cenas nos é apresentado como um homem sozinho que cria seus dois filhos com muita dificuldade. Logo depois descobrimos que Uxbal, para sustentar a família,  não trabalha na legalidade e está sempre envolvido com negócios escusos e tendo que lidar com uma mulher (ex-mulher) bipolar que está sempre bebendo muito e perdendo o auto controle muito facilmente. Somando a isso, Uxbal tem ainda que lidar com uma mediunidade que o faz enxergar os mortos. 
Ao descobrir que tem apenas alguns meses para viver Uxbal percebe-se pequeno diante dos acontecimentos da vida, tendo então que descobrir um jeito de deixar seus filhos nas melhores condições possíveis. Neste momento Uxbal reflete sobre suas atitudes enquanto ser humano, faz reflexões sobre o pai que havia morrido quando ele tinha a idade de sua filha e de quem pouco se lembra e descobre o medo de deixar de existir para os seus próprios filhos.
O filme peca apenas pelo excesso de informação e pela pouca preocupação com o foco... muitos temas abordos de maneira um pouco caótica e confusa. Contudo eu prefiro me apegar ao que há de mais bonito na história. Prefiro me apegar ao Bardem, lindo e talentosíssimo, as crianças a ao tema O que fazer com o que me resta de vida?
Apesar de por vezes me sentir verdadeiramente tentada a me retirar da vida, fico pensando o que aconteceria se algo assim me atingisse. Acho que assim como Uxbal eu ficaria mais preocupada com as situações que deixaria para traz, para o estrago que faria nas vidas das pessoas para quem represento alguma coisa. 
Biutiful para mim foi assim, choro e reflexão. Gostei muito e recomendo.




Jor     

sábado, 9 de abril de 2011

Mentes Perigosas: o Psicopata Mora ao Lado

Nesses dias de luta é bem difícil manter a leitura em dia. O dia que tem apenas 24 horas fica curto, e às vezes deixamos coisas bem importantes de lado para dar conta das responsabilidades profissionais diárias. Mesmo assim sigo resistindo bravamente e separando alguns minutos do meu dia para ler (bem poucos na verdade).
O ultimo livro lido entrou para a lista dos preferidos. Mentes Perigosas: o Psicopata Mora ao Lado é um desses livros elucidativos sobre temas peculiares e pouco discutidos. Das doenças mentais a psicopatia é, sem dúvida, um terreno fértil para a produção de boa literatura. Apesar de um pouco repetitivo (a autora repete muitas informações para ilustrar o perfil de um psicopata) o livro se transforma em uma experiência interessante ao ser construído através da experiência e da observação da autora. Ana  Beatriz Barbosa Silva é psiquiatra e trabalha como terapeuta e através de sua experiência transcreve as diversas histórias a que teve acesso em seu consultório. Assim ela esclarece a nós leitores sobre a quantidade de mentes perigosas que vivem ao nosso redor. Por vezes no livro entramos em contato com diversas vidas que foram transformadas de alguma forma por um psicopata.
A autora divide as mentes perigosas em três categorias: leve, moderada e severa, deixando claro que nem sempre um psicopata chegará a matar alguém, mas que nem por isso o estrago que eles fazem é menor. Ela define os psicopatas leves e moderados como aqueles que cometem os “pequenos golpes” e “se dedicam a trapacear, aplicar golpes e pequenos roubos, mas provavelmente não “sujarão as mãos de sangue” ou matarão suas vítimas”. (Silva, 2010: 20)
Por outro lado os psicopatas severos são aqueles capazes de qualquer coisa para alcançar seus objetivos; são capazes de encomendar a morte dos pais, abrir a porta para os assassinos entrarem na casa e esperar tranquilamente até que o crime tenha sido cometido e sem demonstrar qualquer sinal de arrependimento como aconteceu com Suzane Von Richthofen caso citado no capítulo Foi Manchete Nos jornais. A autora define a consciência como a característica que define a diferença entre um psicopata e uma pessoa saudável mentalmente.
“a consciência é um senso de responsabilidade e generosidade baseado em vínculos emocionais, de extrema nobreza, com outras criaturas (animais, seres humanos) ou até mesmo com a humanidade e o universo como um todo”. (2010: 29)
Por outro lado o psicopata descrito no livro é um ser desprovido de qualquer sentimento relacionado à bondade, generosidade ou arrependimento:
“Como animais predadores, vampiros, esses indivíduos sempre sugam suas presas até o limite improvável de uso e abuso. Na matemática desprezível dos psicopatas, só existe o acréscimo unilateral e predatório, e somente eles são os beneficiados”. (2010: 36)
Assim a autora deixa clara a sua intenção de nos fazer enxergar que o “mal habita entre nós” e que precisamos estar atentos a essa pessoas que:
“... são verdadeiros atores da vida real, que mantem com a maior tranqüilidade, como se estivessem contando a verdade mais cristalina. E, assim, conseguem deixar seus instintos maquiavélicos absolutamente imperceptíveis aos nossos olhos e sentidos, a ponto de não percebermos a diferença entre aqueles que tem consciência e aqueles que são desprovidos desse nobre atributo”. (2010: 38)
O livro pode ser considerado um manual para identificar os diversos perfis de psicopatas que vivem entre nós. É uma leitura interessante para quem se interessa por assuntos relacionados à psicologia. A resenha do livro coincide, infelizmente, com a tragédia que abateu o Rio de Janeiro no  dia 07 de abril de 2011 no episódio em que uma chacina tirou a vida de 11 crianças e deixou outras tantas feridas, física e psicologicamente. A mente humana é capaz de grandes realizações, mas também é capaz de grandes absurdos. Contudo, segundo o perfil traçado por Ana Beatriz no livro supracitado o humano que cometeu a atrocidade no Rio de Janeiro não se encaixa no perfil do psicopata e estaria mais ligado ao perfil de um psicótico.
Mentes Perigosas: o Psicopata Mora ao Lado é um livro interessantes que merece uma atenção especial.

Editado pela Fontamar - Objetiva - tem 224 páginas. 
Você pode achar na Saraiva (Um pouco caro)
Mas também tem no Submarino 

Livro nota 7

Jor

quinta-feira, 31 de março de 2011

127 Horas - de Aflição

Quando o filme começa e nos 20 minutos iniciais o acidente com alpinista Aron Ralston acontece, é impossível não se perguntar: como o diretor vai conseguir me manter sentada aqui até o final do filme?
Mas ele consegue e consegue de maneira esplêndida. É impossível não se envolver com história de Aron. 
Em Abril de 2003, Aron Ralston sai para fazer uma de suas explorações rotineiras no cânion Bluejohn, em Utah e esquece o seu file escudeiro, um canivete suíço. É impossível não perceber a importância que esse canivete, ou a falta dele, terá na história de Aron quando a câmera dá um close up na mão do mesmo a procura dele. Aron não encontra o canivete, mas mesmo assim segue para a sua "aventurazinha". Quando o acidente acontece e Aron fica com o braço preso por uma pedra o personagem é tomado por seguidas epifanias entre elas a consciência de ter esquecido algo que poderia tê-lo ajudado muito. Aron sempre foi arrogante e auto suficiente e quando chega ao ponto de beber a própria urina percebe-se alguém mortal e limitado, como o resto dos mortais. 
As reflexões feitas por Aron fazem de nós espectadores de nós mesmos. Até onde podemos ir sozinhos? Até que ponto conseguimos tomar decisões realmente difíceis? Quantos de nós teriam a presença de espírito para tomar uma decisão tão difícil quanto a que ele toma?
Apesar de já se saber que 127 horas se trata de um filme de sobrevivência e que Aron no final vai amputar o próprio braço para conseguir se livrar da pedra, o suspense é mantido até o final esplendidamente pelo diretor Danny Boyle (aquele que fez Slumdog Millionaire). As tomadas em câmera lenta e o uso de um video diário mantido por Aron, enquanto esteve preso pela pedra, quebram a possível monotonia surgida da falta de diálogos do filme.
Aron sempre foi o herói de si mesmo e no final do filme fica evidente que assim o será para o resto da vida, mas agora ele poderia enfim perceber a efemeridade de seu heroísmo.
Um filme muito interessante com uma trilha sonora excepcional. Recomendo ;-)

Jor

quinta-feira, 24 de março de 2011

Caio F Caio: Pedra rolante

Caio F Caio: Pedra rolante: "“Pedra que muito rola não cria musgo” – dizia minha avó quando falava de um sobrinho, Francisco. Ninguém nunca sabia direito onde ele and..."

domingo, 20 de março de 2011

O Discurso é do Rei, Mas O Melhor Ainda é Cisne Negro

O que te faz realmente seguir em frente na vida? O que realmente te impulsiona? O medo ou a coragem? Por vezes respondo que a coragem te impulsiona mais que qualquer outra coisa,mas as vezes tenho a nítida impressão que não há alavanca melhor que o medo.
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Bertie é um desses personagens que te cativa desde a primeira cena do filme quando desesperadamente tenta vencer a gagueira e falar em um estádio lotado de pessoas que olham ansiosamente esperando que o então príncipe vença a sua suposta gagueira. Impossível também não sentir simpatia por ele quando, com a boca cheia de bolinhas de gude, tenta desesperadamente obedecer as ordens do médico que garante ser essa uma tática infalível para curar gagueira desde o tempo da Grécia Antiga. 
Albert Frederick Arthur George (Bertie), pai da atual rainha da Inglaterra, era o segunda na linha de sucessão do rei George V. Por ser o caçula da família real, Bertie não precisaria se preocupar com o trono da Inglaterra. Eu disse precisaria, porque com a morte de seu pai, seu irmão Edward, decidi viver a vida de um jeito nada convencional para um rei e abdica do trono, deixando desse modo, o império Britânico na mão de Bertie. Deste momento em diante a história se desenvolve em torno da luta pela superação da gagueira do agora rei George VI.
Eu poderia dizer que o discurso do rei é uma história de superação e só. No entanto o filme cativa, por conta da história paralela. A amizade que Bertie desenvolve com  Lionel Logue (Geoffrey Rush), um fonoaudiólogo (que não possui um estudo formal sobre a fonoaudiologia) e que com seu método nada convencional ajuda Bertie a superar sua gagueira e seus medos. É interessante perceber a fragilidade que Bertie possuiu, e de como ele foi empurrado por acontecimentos externos, para o desenvolvimento dos medos que nutriu por tanto tempo. Medos esses, que o impulsionou a seguir em frente.  
Contudo não acho que O DIscurso do Rei mereceu o título de melhor filme do ano. Na minha opinião esse título ainda é de Cisne Negro.
Vou parar por aqui, ando sem tempo, gente... vida de professor já sabe, né? Muitos planos de aulas e projetos pedagógicos pra dar conta. 
Mas vejam o filme. a história é linda, o figurino é exuberante, o clima da eminência da segunda guerra é tão bem representado na trama que nos faz sentir como tudo aconteceu e a fotografia é perfeita.

Jor

domingo, 13 de março de 2011

A Rede Social - "Masterpiece" Sinalizador dos Novos Tempos

O que dizer de um filme David Fincher? 
O cara já sai na frente por conta do currículo, né? Quem faz coisas como, O curioso Caso de Bejamim Button (um dos filmes mais bonitos que já vi), Seven, Clube da luta já merece nossa atenção automaticamente. Mas claro que currículo só não basta; tem um monte de gente que faz coisas maravilhosas durante a vida e de vez em quando comete uns erros bem grosseiros. No entanto, esse definitivamente NãO foi o caso com A Rede Social. Fincher não utiliza grandes efeitos, mas consegue com maestria fazer de seu filme um grande momento do cinema mundial.
A Rede Social conta a história de um nerd sem grandes habilidades para interações sociais, obcecado por fraternidades (coisa típica de universidades estadunidenses) e com uma grande interesse em se tornar "parte" de um grupo. Esse nerd tão bem interpretado por Jesse Eisenberg (achei tão bonitinho ele em Zumbilândia) é hoje um dos jovens mais bem sucedidos do mundo, o famoso criador do facebook Mark Zuckerberg, uma das redes sociais mais importantes do momento. Entretanto, A Rede Social mais que um filme que relata a "criação", ou como queiram chamar, do facebbook, é um filme que consegue em grande parte retratar a primeira geração emergida da expansão da internet como conhecemos hoje. A geração das relações à distância, que necessita tão grandemente da aceitação em grupos ou tribos que mais que juntar pessoas, as isola umas das outras. A geração sedenta por atenção e aceitação.
Ao terminar com a namorada, Mark vai pra casa e inicia, através de seu blog, um linchamento público contra a garota com ofensas bem peculiares à seu respeito, logo o seu blog ganha um grande número de acessos e o mesmo resolve então promover uma eleição via web da garota mais "quente" da escola. Pronto... Mark ganha fama (nada boa a princípio) e acaba sendo acionado por dois irmãos do campus em que ele estuda que tinham uma idéia boa mas nenhuma capacidade para executá-la. Mark se apropria da idéia dos irmãos Winklevoss e com o suporte financeiro do único amigo o também estudante e brasileiro Eduard Saverin, coloca no ar o site de relacionamento que conhecemos hoje como Facebook 
O filme já nos cansa de inicio com a "verborragia" de Mark Zuckerberg em um dialogo interminável com a tal namorada que o Mark da vida real afirma nunca ter existido. Ao mesmo tempo e no mesmo plano de cena a baixa iluminação, o caráter pretensioso do personagem central e a trilha sonora nos prende para os próximos movimentos da trama. Movimentos esses muito ágeis e intimamente conectados como se Fincher estivesse reproduzindo através de seu filme a mesma urgência de informação e de relações (relacionamentos) sentida nos dias atuais.
Um Plot muito bom, com direção à altura e interpretações bem peculiares (Justin Timberlake faz uma ponta no filme). Indicado para os apreciadores - aqueles-que-realmente-gostam-e-entendem-um-pouquinho da sétima arte.
Até que ponto estamos realmente conectados? Até que ponto as tais redes sociais estão realmente sendo responsáveis por interações sociais? As respostas virão no futuro ou já estaríamos colhendo os frutos dos isolamentos produzidos pelo distanciamento imposto pelo mundo digital? Para a tal namorada Mark Zuckerberg ele é um ser desprezível; para mim Mark Zuckerberg é uma vítima das relações na contemporaneidade.

Jor