sábado, 11 de dezembro de 2010

Encantar-se é... Mais Caio Fernando Abreu

Ontem por incrível que pareça todos os lugares que pisei eu te procurei. (…) Fiquei feliz em poder sentir tua falta, - a falta mostra o quão necessitamos de algo/alguém. É assim o nosso ciclo. Eu te preciso. Perto, longe, tanto faz. Preciso saber que tu está bem, se respira, se comeu ou tomou banho - com o calor que está fazendo neste verão, tome pelo menos uns três ao dia, e pense em mim, estou com calor também. Me faz bem pensar nessas atividades corriqueiras, que supostamente você está fazendo. Ah, e eu estou te esperando, com meu vestido curto, óculos escuros grandes e meu coração pulsando forte, e te abraçar até sentir o mundo girar apenas para nós. É, eu gosto muito de ti.


(Caio Fernando Abreu)

sábado, 4 de dezembro de 2010

Um Anjo (L)

Vez em quando a vida pesa e mesmo pesada ainda é possível observar alguns milagres. Hoje mesmo fui vítima de um. Um anjo veio me visitar; ou melhor, pediu que eu o visitasse. Obediente fui. E que encontro glorioso. Quanta luz e energia boa tinha esse anjo para me dar. E foram horas de riso, de rememorações de outras épocas, de outras vidas, foram horas de recontar histórias, rever conceitos, reafirmar idéias. Horas de desabafo que fizeram da vida, ao menos, por alguns segundos, mais leves.
Esse anjo eu conheço há muito tempo. Esse anjo veste a vida de uma amiga querida que se tornou uma irmã oferecida pela vida a mim.
Tão bom receber a sua energia anjinha.
Tão bom estar perto de você...
Amo-te minha irmã de coração.






Jor

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Umas Coisinhas de Caio Fernando Abreu Para Pensar

Frágil – você tem tanta vontade de chorar, tanta vontade de ir embora. Para que o protejam, para que sintam falta. Tanta vontade de viajar para bem longe, romper todos os laços, sem deixar endereço. Um dia mandará um cartão-postal de algum lugar improvável. Bali, Madagascar, Sumatra. Escreverá: penso em você. Deve ser bonito, mesmo melancólico, alguém que se foi pensar em você num lugar improvável como esse. Você se comove com o que não acontece, você sente frio e medo. Parado atrás da vidraça, olhando a chuva que, aos poucos começa a passar.

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Te desejo uma fé enorme, em qualquer coisa, não importa o quê, como aquela fé que a gente teve um dia, me deseja também uma coisa bem bonita, uma coisa qualquer maravilhosa, que me faça acreditar em tudo de novo, que nos faça acreditar em tudo outra vez.

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Meu Deus, não sou muito forte, não tenho muito além de uma certa fé - não sei se em mim, se numa coisa que se chamaria de justiça-cósmica ou a-coerência-final-de-todas-as-coisas. Preciso agora da tua mão sobre minha cabeça. Que eu não perca a capacidade de amar, de ver, de sentir. Que eu continue alerta. Que, se necessário, eu possa ter novamente o impulso do vôo no momento exato. Que eu não me perca, que eu não me fira, que não me firam, que eu não fira ninguém. Livra-me dos poços dos becos de mim, Senhor. Que meus olhos saibam continuar se alargando sempre.


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Pensando em escrever para minha mãe, em mudar de vida, de emprego, de cidade, de país, que vontade, querida mamãe, de ser feliz, de ter um grande amor bem limpinho, bem clarinho, um amor de manhã bem cedo, não diga nada a ninguém, não é preciso, mas cá-entre-nós-que-ninguém-nos-ouça, não vem dando muito certo, tenho tentado, juro, beijos no pai, que ele não saiba que estou ficando velho, não conte a tia Flora que perdi as ilusões, que já nem lembro mais, e encho o saco disso e apago a luz e durmo e sonho.

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Venha quando quiser, ligue, chame, escreva - tem espaço na casa e no coração, só não se perca de mim.

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Algumas vezes eu fiz muito mal para pessoas que me amaram. Não é paranóia não. É verdade. Sou tão talvez neuroticamente individualista que, quando acontece de alguém parecer aos meus olhos uma ameaça a essa individualidade, fico imediatamente cheio de espinhos - e corto relacionamentos com a maior frieza, às vezes firo, sou agressivo e tal. É preciso acabar com esse medo de ser tocado lá no fundo. Ou é preciso que alguém me toque profundamente para acabar com isso.

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Caio Fernando Abreu....      

Forte como tem que ser.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

E no Fim da Noite Bateu uma Saudade dos Novos Baianos

O Sol hoje tá lindo eu vi e fui olhar
Quase fico cego
Precisamos sair pra outra em silêncio...
Ouço o silencioso som do universo

O Sol hoje tá lindo eu vi e fui olhar
Quase fico cego
Precisamos sair pra outra em silêncio...
Ouço o silencioso som do universo

És a chama e o fogo
Não deixes morrer esta vida
Já chegastes a compreender dor
E ferida, doce e linda juventude fez a árvore,
sombra e produz

És a chama e o fogo
Não deixes morrer esta vida
Já chegastes a compreender por
E ferida, doce e linda juventude fez a árvore,
sombra e produz

O Sol hoje tá lindo eu vi e fui olhar
quase fico cego
Precisamos sair pra outra em silêncio...
Ouço o silencioso som do universo

És a chama e o fogo
Não deixes morrer esta vida
Já chegastes a compreender dor
E ferida, doce e linda juventude fez a árvore,
sombra e produz

És a chama e o fogo
Não deixes morrer esta vida
Já chegastes a compreender dor
E ferida, doce e linda juventude fez a árvore,
sombra e produz

O Sol hoje tá lindo eu vi e fui olhar
quase fico cego
Precisamos sair pra outra em silêncio...
Ouço o silencioso som do universo

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

É primavera...

E leva um tempo para lembrar de como é bom estar aqui. Sim, estamos em outubro. É primavera amigos e isso pra mim significa que estamos no período do ano que mais me traduz. O verão é "bonzinho", mas sem o calor extremo que faz seria ainda melhor. O outono e o inverno me deixam deprimida... não tenho tanta saúde mental para aguentar tanto frio, chuva e as gripes seqüenciais que me acometem, sou uma pessoa amena que se alegra com o frio e o calor moderado, que gosta de vento no rosto e paisagens carregadas com as cores mais intensas do mundo. 
Sou uma pessoa primavera. Ontem enquanto fazia uma caminhada me dei conta que estamos na primavera... daí parei pra reparar que o verde estava tão vivo, que as flores em volta estavam tão coloridas e havia sol na medida certa e o vento acontecia de vez em quando como se convidasse para a vida. Olhares sobre coisas assim renovam a minha alma. 
O sol anda perfeito esses dias, o vento também está fazendo sua parte... nessa época do ano me pego a pensar que a vida é boa e que dá até pra ser feliz por mais vezes do que o convencional. Esse aqui é só pra compartilhar com vocês esse sentimento de primavera  Esse sentimento de nascimento, ou renascimento que essa linda estação do ano me traz.
     

domingo, 26 de setembro de 2010

Ela sabia que ia passar, e passou!

Ela sabia que ia passar, mas até passar ia doer e mesmo sabendo que a dor uma hora ia cessar, ela não conseguia deixá-la agir. A luta para não sentir aquilo doía bem mais do que a simples conformidade sobre a ação dela. Continuar, seguir em frente, recusar o passado e pensar só no futuro.
– É claro que eu posso, dizia ela!
E ela podia. Podia lutar e se negar ao sofrimento, ela era forte. Mas o que ela devia saber é que se negar ao sofrimento não acaba com ele, só o deixa adormecido em algum lugar. Num desses lugares escondidos em que apenas as coisas ruins (aquelas bem ruins) se escondem.
E ela seguiu. Trabalhou o máximo possível. Manteve-se ocupada até quando não era preciso estar. Leu muito.  Estudou mais ainda. Se afastou de todos que podiam de alguma forma lembrar o passado tão dolorido. Fez novos amigos. Novos lugares para ir. Novas pessoas pra conhecer.  Ouviu música, mas não as tristes, só as alegres. Conheceu lugares inusitados. Escreveu para os velhos amigos. E se perdeu dos velhos amigos.
– O mundo é cheio de infinitas possibilidades, dizia ela.  
E é. E ela sabia. E sentiu isso todos os dias. Era fácil driblar a dor quando há muito a ser feito, mas às vezes ela se distraía com uma música ou com uma simples traição do pensamento que a devolvia a ele. Ele que ela tanto fugiu durante meses ainda estava ali guardado, esperando. Lembrar doía e ela morria um pouco a cada vez que se deixava trair pelo pensamento.
Um dia ela se entregou. Reviveu tudo o que tinha acontecido, e sofreu, e chorou, e ouviu a música deles, e as outras músicas, aquelas bem tristes. Leu aquele romance tão evitado. E viu aquele filme em que o mocinho descobre que não pode viver sem a mocinha e volta pra ela. E esperou ele voltar. E ele não voltou. E ela teve que seguir. E seguiu.
Agora ela não ignorava mais a dor, aprendeu a conviver com ela. Até se acostumou com ela. Se apegou. Tratou de nutri-la, de deixá-la forte, indestrutível (era uma forma de não perde-lo por completo).
Mas ela sabia que algo muito bom aconteceria e um dia meio sem querer ela o encontrou. Era mias alto do que o que ela se lembrava e mais bonito também. Os olhos eram ainda mias brilhantes. O cheiro? Ah, esse ela nunca tinha esquecido e ele continuava igual; cheirava a amor. Um amor puro, jovem e inocente. E como num despertar de um sono profundo ela percebeu que ele (aquele por quem tanto sofreu) já não existia, havia morrido em algum lugar do passado, e ela tão entretida em cuidar da sua dor, nem havia percebido. Ela sorriu. Ele sorriu. Os dois seguiram em direções opostas. Ela sorriu sozinha. E parou de doer.
Dizem que ela anda por aí, feliz. Aprendeu a não ignorar a dor, senão ela permanece.  Aprendeu também a não nutrir a dor senão ela também permanece. Aprendeu que a vida tem muito a oferecer quando se está com o coração limpo (ela limpou o dela).
Ela sabia que ia passar. E passou!   



Jordânia Azevedo

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

As Pequenas Epifanias de Caio Fernando Abreu









Eu estava no primeiro ano da faculdade quando descobri Caio. Minha professora de Panorama Literário da Literatura de Língua Portuguesa me diria: Caio seu vizinho? - ela sempre dizia que devemos reverência os autores, devemos respeito a eles. Eu concordo com ela, em parte. A minha reverência está no cuidado que dou às palavras deles; está no cuidado com que guardo cada parte de sua obra em mim. Digo Caio, pois hoje me sinto tão próxima a ele. Talvez de todas as pessoas intensas e profundas que admiro, Caio é o que mais se aproxima da minha alma. Me delicio em cada palavra dele como se pudesse me reconhecer em cada linha. Sinto um profundo amor por tudo que ele produziu e continua produzindo em mim. Esses dias o meu Livro de cabeceira é um livro de crônicas dele. Pequenas Epifanias reúne crônicas que Caio escreveu entre 1986 e 1995. Crônicas belíssimas, cheias de sentimentos profundos. Não posso falar muito desse livro ainda, pois estou apenas no começo e confesso que a minha vontade é economizar o máximo possível (gosto de economizar as coisas dele). Lendo aos poucos, para não perdê-lo logo... Mas claro que dentre as poucas que li já elegi a minha preferida e trago aqui só pra falar no meu espaço sobre o meu grande apreço por Caio, aquele que podia perfeitamente ser o meu vizinho solitário, mas que por algum motivo prefere viver aqui, dentro de mim.   
Por Jordânia Azevedo 



  EXTREMOS DA PAIXÃO

"Não, meu bem, não adianta bancar o distante
lá vem o amor nos dilacerar de novo..."
Andei pensando coisas. O que é raro, dirão os irônicos. Ou "o que foi?" - perguntariam os complacentes. Para estes últimos, quem sabe, escrevo. E repito: andei pensando coisas sobre amor, essa palavra sagrada. O que mais me deteve, do que pensei, era assim: a perda do amor é igual à perda da morte. Só que dói mais. Quando morre alguém que você ama, você se dói inteiro (a) mas a morte é inevitável, portanto normal. Quando você perde alguém que você ama, e esse amor - essa pessoa - continua vivo (a), há então uma morte anormal. O NUNCA MAIS de não ter quem se ama torna-se tão irremediável quanto não ter NUNCA MAIS quem morreu. E dói mais fundo- porque se poderia ter, já que está vivo (a). Mas não se tem, nem se terá, quando o fim do amor é: NEVER.
Pensando nisso, pensei um pouco depois em Boy George: meu-amor-me-abandonou-e-sem-ele-eu-nao-vivo-então-quero-morrer-drogado. Lembrei de John Hincley Jr., apaixonado por Jodie Foster, e que escreveu a ela, em 1981: "Se você não me amar, eu matarei o presidente". E deu um tiro em Ronald Regan. A frase de Hincley é a mais significativa frase de amor do século XX. A atitude de Boy George - se não houver algo de publicitário nisso - é a mais linda atitude de amor do século XX. Penso em Werther, de Goethe. E acho lindo.
No século XX não se ama. Ninguém quer ninguém. Amar é out, é babaca, é careta. Embora persistam essas estranhas fronteiras entre paixão e loucura, entre paixão e suicídio. Não compreendo como querer o outro possa tornar-se mais forte do que querer a si próprio. Não compreendo como querer o outro possa pintar como saída de nossa solidão fatal. Mentira:compreendo sim. Mesmo consciente de que nasci sozinho do útero de minha mãe,berrando de pavor para o mundo insano, e que embarcarei sozinho num caixão rumo a sei lá o quê, além do pó. O que ou quem cruzo entre esses dois portos gelados da solidão é mera viagem: véu de maya, ilusão, passatempo. E exigimos o terno do perecível, loucos.
Depois, pensei também em Adèle Hugo, filha de Victor Hugo. A Adèle H. de François Truffaut, vivida por Isabelle Adjani. Adèle apaixonou-se por um homem. Ele não a queria. Ela o seguiu aos Estados Unidos, ao Caribe, escrevendo cartas jamais respondidas, rastejando por amor. Enlouqueceu mendigando a atenção dele. Certo dia, em Barbados, esbarraram na rua. Ele a olhou. Ela, louca de amor por ele, não o reconheceu. Ele havia deixado de ser ele: transformara-se em símbolos em face nem corpo da paixão e da loucura dela. Não era mais ele: ela amava alguém que não existia mais, objetivamente. Existia somente dentro dela. Adèle morreu no hospício, escrevendo cartas (a ele: "É para você, para você que eu escrevo" - dizia Ana C.) numa língua que, até hoje, ninguém conseguiu decifrar.
Andei pensando em Adèle H., em Boy George e em John Hincley Jr. Andei pensando nesses extremos da paixão, quando te amo tanto e tão além do meu ego que - se você não me ama: eu enlouqueço, eu me suicido com heroína ou eu mato o presidente. Me veio um fundo desprezo pela minha/nossa dor mediana, pela minha/nossa rejeição amorosa desempenhando papéis tipo sou-forte-seguro-essa-sou-mais-eu. Que imensa miséria o grande amor - depois do não, depois do fim - reduzir-se a duas ou três frases frias ou sarcásticas. Num bar qualquer, numa esquina da vida.
Ai que dor: que dor sentida e portuguesa de Fernando Pessoa - muito mais sábio -, que nunca caiu nessas ciladas. Pois como já dizia Drummond, "o amor car(o,a,) colega esse não consola nunca de núncaras". E apesar de tudo eu penso sim, eu digo sim, eu quero Sins.
O Estado de S. Paulo, 8/7/1986

ABREU, Caio Fernando. Pequenas epifanias. Porto Alegre: Sulina, 1996. 

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Cartas Para Julieta

Quem me conhece sabe que o meu "grande lance" (leia aqui envolvimento) com histórias só começa realmente quando ela é extremamente dramática, açucarada e/ou triste. Daí o meu profundo gosto por tudo trágico que Shakespeare escreveu ou por qualquer uma das historinhas água com açúcar da Jane AustenCom filmes acontece do mesmo jeito. Quando a história é recheada de desencontros e com casos de amor mal resolvidos, aí sim é que tudo começa a fazer sentido para mim – sou dramática, eu sei!
Mas vou confessar que às vezes uma simples história de amor repleta de clichês e “Happy Ends” fazem-me bem feliz. Daí surge essa indicação de filme. Cartas Para Julieta (Letters to Juliet), o mais recente filme da nova queridinha de Hollywood Amanda Seyfried, é uma dessas histórias água com açúcar que me fazem um bem enorme. Deixemos de lado as interpretações dos “garotos” do filme e o enredo que em nada inova repetindo apenas a velha formula, para prestar atenção apenas em Seyfried, Vanessa Redgrave e no amor. Sim esse é o mais belo de todos os ingredientes do filme. (Preparem-se para o clichê) o amor nunca sai de moda, nunca é desagradável e é sempre bom revivê-lo seja por meio de um bom livro ou por meio de uma película cinematográfica bobinha. Fazer o que?! Sou sim uma dessas românticas convictas que acreditam em amor verdadeiro e coisa e tal; essa sou eu! Daí esse profundo apego por esse filme bobinho que acabei de assisti e mau via a hora de correr aqui pra contar para vocês.
Recomendo esse filme para aqueles, que como eu adoram, de vez em quando, suspirar por uma história de amor com final feliz. 
Nada de grandes expectativas, certo? Apenas uma “Love story” cheia de belas paisagens da Itália como plano de fundo.

Por Jordânia Azevedo

    



What if?                  ;-)

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O Mais é Nada


Navegue, descubra tesouros, mas não os tire do fundo do mar, o lugar deles é lá. Admire a lua, sonhe com ela,  mas não queira trazê-la para a terra. Curta o sol, se deixe acariciar por ele, mas lembre-se que o  seu calor é  para todos. Sonhe com as estrelas, apenas sonhe, elas só podem brilhar  no céu. Não tente deter o vento, ele precisa correr por toda parte, ele tem pressa de chegar sabe-se lá onde. Não apare a chuva, ela quer cair e molhar muitos rostos,  não  pode molhar só o seu. 
As lágrimas? Não as seque, elas precisam correr na minha, na sua, em todas as faces. 
O sorriso! Esse você deve segurar, não deixe-o ir embora, agarre-o! Quem você ama? Guarde dentro de um porta jóias, tranque, perca a chave! Quem você ama é a maior jóia que você possui, a mais valiosa.

Não importa se a estação do ano muda, se o século vira e se o milênio é outro, se a idade aumenta; conserve a vontade de viver, não se  chega à parte alguma sem ela. Abra todas as janelas que encontrar e as portas também.
Persiga um sonho, mas não deixe ele viver sozinho. Alimente sua alma com amor, cure suas feridas com carinho. Descubra-se todos os dias, deixe-se levar pelas vontades, mas não enlouqueça por elas. Procure, sempre procure o fim de uma história, seja ela qual  for. Dê um sorriso para quem esqueceu como se faz isso. Acelere seus pensamentos, mas não permita que eles te consumam.
Olhe para o lado, alguém precisa de você. Abasteça seu coração de fé, não a perca nunca. Mergulhe de cabeça nos seus desejos e satisfaça-os. Agonize de dor por um amigo, só saia dessa agonia se conseguir tirá-lo também. Procure os seus caminhos, mas não magoe ninguém nessa  procura. Arrependa-se, volte atrás, peça perdão! Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando  julgar necessário. Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se  afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!

Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se achá-lo, segure-o!
“Circunda-te de rosas, ama, bebe e cala. O mais é nada”.
(Fernando Pessoa)

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Eu Poderia me Definir Assim...

Sou forte. Meio doce e meio ácida. Em alguns dias acho que sou fraca. E boba. Preciso de um lugar onde enfiar a cara pra esconder as lágrimas. Aí penso que não sou tão forte assim e começo a olhar pra mim. Sou forte sim, mas também choro. Sou gente. Sou humana. Sou manhosa. Sou assim. Quero que as coisas aconteçam já, logo, de uma vez. Quero que meus erros não me impeçam de continuar olhando para a frente. E quero continuar errando, pois jamais serei perfeita (ainda bem!). Tampouco quero ser comum e normal. Quero ser simplesmente eu. Quero rir, sorrir e chorar. Sentir friozinho na barriga, nó no peito, tremedeira nas pernas. Sentir que as coisas funcionam e que tenho que trocar de jeito quando insisto em algo que não dá resultado. Quero aprender e, ainda assim, continuar criança. Ficar no sol e sentir o vento gelado no nariz. Quero sentir cheiro de grama cortada e café passado. Cheiro de chuva, de flor, cheiro de vida. Aprecio as coisas simples e quero continuar descomplicando o que parece complicado. Se der pra resolver, vamos lá! Se não dá, deixa pra lá. A vida não é complicada e nem difícil, tudo depende de como a gente encara e se impõe. Quero ser eu, com minha cara azeda e absurdamente açucarada. Não quero saber tudo e nem ser racional. Quero continuar mantendo o meu cérebro no lugar onde ele se encontra: meu coração. E essa é a melhor parte de mim.

Clarissa Corrêa
Descobri Clarissa Corrêa e agora não paro de lê-la... >>>>>>>

sábado, 21 de agosto de 2010

Um Olhar do Paraíso

A questão mais aflitiva para o espírito no Além é a consciência do tempo perdido. (Chico Xavier)




Gosto de filmes que me fazem pensar, mas também gosto de uma bobagem de vez em quando pra que a vida fique um pouco mais leve. Dia desses achei um filme meio sem querer que consegue ser uma bobagem e ao mesmo tempo me fez pensar muito depois que acabou. Gostei da capa (um paisagem tão linda) e tinha a Rachel Weisz no elenco (desde o Jardineiro Fiel eu fiquei meio fã da moça), daí apostei na história que a princípio não me dizia muita coisa. Um Olhar do Paraíso retrata a história de Susie Salmon (Saoirse Ronan) uma menina de 14 anos que depois de morta por um assassino em série, passa a observar os fatos que envolveram a sua vida e a sua morte do paraíso. Um filme com cenários de tirar o fôlego de tanta perfeição que exibe. Imagens bem coloridas que contrastam com o tom pesado que cerca a morte e o desaparecimento da menina.
Algumas cenas são extremamente emocionantes. Cenas em que a menina se indaga sobre o que ela seria agora depois de morta; seria ela a filha, a menina desaparecida, a menina morta? E ainda nas cenas em que ela se questiona porque cedeu às investidas do assassino, cenas em que ela se culpa pela morte prematura, uma angustia compreensível, mas nada real, afinal o único culpado da história é George (Stanley Tucci – em uma excelente atuação, diga-se de passagem) o assassino que me fez, em muitos momentos, sentir o estomago embrulhar.
Ando numa fase sem muitos pilares de verdades absolutas... todas as minhas bases foram destruídas e passam agora por um momento de (re) significação total (vale até dizer que não sei mais no que acredito). Isso não é nada ruim, digamos que essa tal liberdade de não saber em que acreditar faça-me até bem. Entretanto, não posso me manter indiferente a coisas que não possuem uma explicação “lógica”. Afinal, não foi Einstein, o pai da relatividade, que disse que quanto mais ele estudava o universo, mais tinha a convicção da existência de um poder superior?! Pois é assim que sinto quando assisto ou leio coisas que retratam a vida e a morte. Seria isso possível? Seria possível deixar essa vida e observá-la de outro plano astral? Seria possível até continuar interferindo nessa vida, mesmo depois de morto?
Sinceramente? Não sei. Mas confesso que de todas as teorias cristãs, a espiritualista é a que mais me agrada. Seria muito bom ter uma segunda chance ou ainda poder, vez ou outra, lançar olhares no paraíso (que segunda essa teoria tem a cor e o jeito particular de cada um individualmente).
A crítica não aprovou o filme de Peter Jackson. Alegação de que a história não se aprofunda no drama real foi a mais recorrente. Mas a história é complicada. Afinal, qual seria o jeito certo de narrar o estupro e morte de uma garota de 14 anos? Não acho que a história seja rasa, ao contrário. O drama fica por conta do apego que Susie gera no espectador nos primeiros momentos da trama... é difícil imaginar aquela menina com cara de anjo sendo violentada e esquartejada por um maníaco. É isso. Acho que opção pela delicadeza foi a melhor a ser seguida nessa história.
E como diz a linda Susie no final do filme:

Desejo a Todos Uma Vida Longa e Feliz! 

Trailer:


Enjoy ;-) 

sábado, 14 de agosto de 2010

Amor Sem Escalas Não. Up in The air!

Esperei a segunda impressão para lançar aqui no meu espaço alguns comentários sobre essa belíssima produção cinematográfica. Não que esse seja um daqueles filmes que custaram milhões e renderam milhões em bilheteria, não é isso. Mas esse filme faz da sua simplicidade uma grande arma para conquistar todos aqueles que o assistem (em conversas com amigos todos demonstraram um grande apreço pelo filme).
Estrelado pelo belo George Clooney (Queime depois de Ler, Siriana e O Amor Custa Caro) e pela estonteante Vera Farmiga  (Outono em Nova York, Os Infiltrados e O Menino do Pijama Listrado), Up in The Air narra a história de Ryan Bingham um consultor contratado por empresas para realizar demissões. Diante da ultima crise mundial o filme retrata uma realidade a que os Estados Unidos teve que se submeter durante esse período. Entretanto, esse filme é inspirado em um livro homônimo lançado em 2001, quando essa mesma nação já mostrava sinais da crise que estaria por chegar, prova do caráter atemporal que a literatura possui, mudam se os cenários mas os temas continuam atuais. 
Pelo personagem central, a princípio, é dificil estabelecer qualquer relação de simpatia visto a suposta frieza que o mesmo demonstra durante as demissões que realiza. Contudo, ao decorrer da história Ryan demonstra todo o jogo ético que está envolvido no trabalho que realiza. Demitir apenas, não é um prazer, é um trabalho, e quanto a isso o que ele espera é realizar essa tarefa com um mínimo de respeito às pessoas envolvidas nesse processo. 
Mas além das questões sociais que o filme aborda, o que me encantou nessa trama, o que me fez emocionar ao final dela foi a mensagem sutil trazida em sua história: a solidão pode ser uma opção de vida, ou apenas o resultado de escolhas inconsequentes?
Ryan não estabelece relações profundas com ninguém. Ele usa o seu trabalho como a desculpa perfeita para evitar relacionamentos mais profundos, foge da aproximação até com a família... pra ele as viagens que realiza dá o sentido que a sua vida merece ter. Entretanto, quando conhece Alex (Vera Farmiga) essa sensação de conforto que a solidão lhe traz muda completamente. Alex o faz querer algo mais, um algo rejeitado por ele tantas vezes e que depois dela passa a fazer um sentido que nem ele esperava achar. 
Gosto ainda mais do filme pois o seu final foge do convencional. Claro que não vou falar aqui o que acontece, mas só digo que ele surpreende. Gosto de finais reais... a fantasia as vezes é bem mais cruel que a realidade. 
Aos solitários, como eu, digo que preparem se para se reconhecer em vários momentos da trama e claro, aos solitários sentimentais como eu, digo que se preparem para chorar em vários momentos da trama. 
A solidão me assusta como poucas coisas nessa vida fazem. Não que me incomode com ela, não é isso. Gosto de estar só, gosto da minha companhia e  das minhas manias solitárias. O que me incomoda é que até os solitários mais convictos (conheço muitos), uma hora ou outra reclamam desse estar só... tenho medo do dia em que a solidão começar a me incomodar.
Por Jordânia Azevedo 
Desculpem eu ser eu. Quero ficar só! Grita a alma do tímido que só se liberta na solidão. Contraditoriamente quer o quente aconchego das pessoas. (Clarice Lispector)  
     

domingo, 18 de julho de 2010

Neruda



Saudade





Saudade é solidão acompanhada, 


é quando o amor ainda não foi embora, 


mas o amado já... 


Saudade é amar um passado que ainda não passou, 


é recusar um presente que nos machuca, 


é não ver o futuro que nos convida...

Saudade é sentir que existe o que não existe mais... 


Saudade é o inferno dos que perderam, 


é a dor dos que ficaram para trás, 


é o gosto de morte na boca dos que continuam... 


Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade: 


aquela que nunca amou. 


E esse é o maior dos sofrimentos: 


não ter por quem sentir saudades, 


passar pela vida e não viver. 


O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.


Pablo Neruda

Na Natureza Selvagem








Sabe aquele tipo de filme que quando acaba você fica se perguntando quem é você afinal? Pois esse é o caso de Na Natureza Selvagem. O filme dirigido e roteirizado por Sean Penn, foi inspirado na história real de Christopher McCandless, um jovem rapaz que resolve partir em busca de aventuras capazes de fazê-lo descobrir o real sentido da sua existência. 
Um filme questionador que a pesar de possuir todos os ingredientes para ser repleto de clichês, foge deles completamente. Chris está fugindo da “sociedade das coisas”, está fugindo também de seus pais – fuga que qualquer um de nós faz ao menos uma vez na vida. Entretanto, Chris disponibiliza através de sua história momentos deliciosos de reflexão (parece que tenho uma obsessão estranha por reflexão, não é?). 
Chris gosta de pessoas, de conhecer cada individuo e todas as possibilidades que esses indivíduos têm a oferecer contudo, ele também acredita que é possível viver plenamente sem a presença dessas pessoas.  Contraditório, não? Achar na solidão uma auto suficiência é contraditório pra alguém que se relaciona tão bem com as pessoas com que convive...   
A história é reveladora de características humanas bem peculiares. Medos infundados, incômodos involuntários e a eterna busca por um algo a mais que nunca está ao nosso alcance, pois temos a incrível capacidade de afastar a felicidade para o futuro. Um futuro que pode nunca chegar a existir, pois a vida acontece no presente. 
Chris percebe ao decorrer da sua jornada que a vida só vale a pena se dividida e descobre também que a felicidade tão buscada só é real se compartilhada (lembrei da música que diz: É impossível ser Feliz Sozinho).
Na Natureza Selvagem é um soco no estômago. Uma chacoalhada capaz de te fazer rever conceitos de vida... 
Sabe a história do livro certo na hora certa? Comigo isso acontece também com filmes e esse foi, sem dúvida, um filme certo na hora certa.
Confesso que o assistirei outras vezes, quantas vezes forem necessárias; 
fiquei com aquele sentimento de que posso ter perdido algum detalhe... certamente você ainda vai ler outras coisas aqui inspiradas na vida de Chris. Porém essa aqui é a primeira impressão da história e como a primeira impressão é a que fica, ficou um sentimento bom deixado pela epifania desse momento...
Um filme revelador, instigante e modificador.
Por Jordânia Azevedo

A felicidade só é real se compartilhada. (Christopher McCandless)

domingo, 4 de julho de 2010

Ter ou não Ter Namorado, eis a Questão


Quem não tem namorado é alguém que tirou férias remuneradas de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, gabira, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão é fácil. Mas namorado mesmo é muito difícil. 
Namorado não precisa ser o mais bonito, mas ser aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio, e quase desmaia pedindo proteção. A proteção dele não precisa ser parruda ou bandoleira: basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição.
Quem não tem namorado não é quem não tem amor: é quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento, dois amantes e um esposo; mesmo assim pode não ter nenhum namorado. Não tem namorado quem não sabe o gosto da chuva, cinema, sessão das duas, medo do pai, sanduíche da padaria ou drible no trabalho.
Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar lagartixa e quem ama sem alegria. Não tem namorado quem faz pactos de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade, ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de curar.
Não tem namorado quem não sabe dar o valor de mãos dadas, de carinho escondido na hora que passa o filme, da flor catada no muro e entregue de repente, de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque, lida bem devagar, de gargalhada quando fala junto ou descobre a meia rasgada, de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia, ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo, tapete mágico ou foguete interplanetário.
Não tem namorado quem não gosta de dormir, fazer sesta abraçado, fazer compra junto. Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele; abobalhados de alegria pela lucidez do amor.
Não tem namorado quem não redescobre a criança e a do amado e vai com ela a parques, fliperamas, beira d'água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da Metro.
Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem não se chateia com o fato de seu bem ser paquerado. Não tem namorado quem ama sem gostar; quem gosta sem curtir quem curte sem aprofundar. Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada ou meio-dia do dia de sol em plena praia cheia de rivais.
Não tem namorado quem ama sem se dedicar, quem namora sem brincar, quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele. 
Não tem namorado que confunde solidão com ficar sozinho e em paz. Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo.
Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando 200Kg de grilos e de medos. Ponha a saia mais leve, aquela de chita, e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesma e descubra o próprio jardim.
Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intenção de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteio.
Se você não tem namorado é porque não enlouqueceu aquele pouquinho necessário para fazer a vida parar e, de repente, parecer que faz sentido.

Esse texto foi atribuído a Carlos Drummond de Andrade, mas é de Artur da Távola.